domingo, março 25, 2007

No caminho da escola

Na rua Acre, entre a Santa Terezinha e a Avenida Bandeirantes existia uma mata, onde eu sempre entrava quando ia para a escola. Naquela época, não havia perigo, ou se havia, nunca pensei a respeito. Minhas visitas eram sempre à procura de ninhos de passarinhos que existiam por ali, em sua maioria, de pardais.

Descobri vários. Os filhotinhos quando me viam, começavam a cantar, e me lembro claramente dos seus biquinhos abertos, esperando comida. Maldosamente eu cuspia neles e eles se empanturravam com o cuspe. Me pergunto, às vezes, por que as crianças são tão maldosas? Naquele tempo a Rua Acre não era asfaltada. Caminhei muitas vezes pela areia quente com meus sapatos gastos e meu embornal de escola. Sim, eu ia para a escola com um pequeno embornal, onde levava o caderno, o lápis, a borracha e a cartilha "Caminho Suave". Não havia esta parafernália que hoje vê-se as crianças levando para a escola. E o interessante também é que, contrariando a teoria do senhor Paulo Freire, minha salinha escolar era dividida em três fileiras duplas de alunos. A primeira à esquerda da professora era a dos mais adiantados, a do meio a dos medianos e a da direita a dos mais fracos. A professora tinha uma estratégia para ensinar de acordo com o nível do aluno. Comecei na fileira do meio e logo fui para a da esquerda. Aprendi muito, tive um ensino espetacular, numa escolinha localizada no sitio do seu Paulo Marinho.

Hoje, há tantas técnicas, tantos cadernos, tantos lápis, tantas professoras, que os alunos estão cada vez mais mal formados, mais imbecilizados.

Certo dia, tive a idéia maliciosa de levar uma amiguinha de escola para a mata e não era propriamente para ver os passarinhos. Usei-os como isca. Você quer ver ninhos de passarinhos? Sim, quero, respondeu ela animada. Então vou te mostrar. E ela foi, ingenuamente. A minha curiosidade sexual era imensa. Eu havia escutado uma amiga de minha mãe contando como foi sua lua-de-mel e tinha ficado estarrecido. Ela disse que o marido havia rasgado sua calcinha, com tamanha voracidade, que havia ficado amedrontada. Isso em meados da década de 60, quando se casou. Fiquei pensando: como era isso?

Minha amiguinha viu os passarinhos, enquanto eu acariciava suas pernas. Enquanto ela alisava a cabeça dos filhotinhos, eu levantava seu vestido. Quando ela começou a fazer beicinhos para os bichinhos, eu já havia abaixado sua calcinha.

3 comentários:

célia musilli disse...

ruas assim a gente nunca esquece, um bj

MARIA VALADAS disse...

Os tempos mudam....e mudam os pensamenstos!

beijos

Maria

Henrique Mendes disse...

Posso sugerir ' que hoje vemos levar para a escola '? Ou ' que hoje vemos as crianças levarem para a escola'? Muda o ritmo da frase, e fica mais incisivo.
Um abraço