quarta-feira, dezembro 30, 2009

Para você



Serra do Corvo Branco, Santa Catarina, Brasil

Nasci entre serras,
Onde o céu é tingido de roxo, azuis formosos
Dragões desenhados pelos céus.
Nasci entre rios, flores, rododendros,
Cachoeiras de cem metros, avencas e gelo.
Entre rios cresci e me tornei moça,
Corri, caminhei, sonhei com príncipes e cavalos brancos,
Rodeada de amor e belas árvores perfumadas.
Virei traçado, virei esquinas, virei pedras encantadas
Morros e antigas tradições, onde homens caminhavam
E suas mulas e trilhas ainda hoje deixam suas marcas.
Cresci bela, e bela me tornei moça.
Por ruas desenhadas andei, tive sonhos,
Construi caminhos e por eles caminhei.
Nasci entre serras, caminhei descalça pelas ruas,
E formosa me tornei.
Urubici é o meu nome.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Mesmo que dormisse



Urubici, Serra Catarinense, 2010

Deixo escapar uma bandeja
A pequena louça dividida
Na casa grande de minha infância.
Nunca tive medo, olhos fixos
Na vida contemplada da sala.
Era um nome dado a freiras
Padres, meninos que jogavam
Bola, na tardes angustiantes.
Mas nunca tive medo,
Disso juro e afirmo.
Mesmo que dormisse
Em meus sonhos jamais
Vi cuidados de trem
Trilhos, apitos, pedras
Jogadas nos passageiros.
Rasgado ao meio, coisas
Que hoje tento a troca.
Paradeiros de ternos,
Gravatas, tudo o que
Eu podia saber e não
Soube.
Mas que descobri
No meu andado de homem.
Em lugares todos, lugares
Trigos, temerários e únicos.
Não há o que se explique.

A imagem de quem parte



Colho o que planto.
A recompensa guardada
em minha porta.
Busco poucos risos
o poema que segue
o reino das letras
a moeda que compra
a minha alma gentil.
Mas saibam todos
que a doação em si
é verbo vencido
pelo ultimo dos homens
imagem de adeus apenas
desenhado na rua
e na rodovia la adiante
negando-se a si mesmo:
uma foto que fica.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Cuidando das rosas

Nenhuma mudança me fará
Desperdiçar os últimos estertores
Da noite.Clara, chega mansamente
ao meu espaço inevitável.
Nenhuma cor me fará
mais brando e calmo, mais forte
E presente que a fresta desenhando a luz.
O menino olha o sol.
A cor análoga da chuva.Tenta vencer
A folha redigida no tempo. Sonhar é apenas
Fugir do naufrágio.
Navio entre pedras.

domingo, outubro 18, 2009

Brasil profundo

Diamantina, Minas Gerais, outubro/2009


sábado, outubro 10, 2009

Oração de sábado

Foto de Mauro Pereira da Silva - Diamantina, MG, outubro/2009 (Estátua de Juscelino)
Foto de Mauro Pereira da Silva (Diamantina, MG, outubro/2009)

Tende misericórdia, senhor, pelas pequenas aves
Os brotos verdes das plantas
Os gravetos que, na chuva, ninguém sabe
Para onde vão.
Tende misericórdia, senhor, pelas nuvens,
Que somem no céu azul e jamais se sabe
Que fim levam, quando não viram água.
Tende misericórdia, senhor, pelos perfumes
Que se volatizam, pelos cãezinhos que andam
Distraídos ao lado de avenidas perigosas.
Tende misericordia, senhor, pelas avenidas,
Que levam e trazem, num trabalho sem fim,
Mas que convivem também com a solidão
Dos domingos sem transeuntes.
Tende misericórdia, senhor, por aqueles velhos
Que viveram sem ver, que amaram sem sentir.
Pelos que partiram e jamais voltarão,
Pelos campos desanimados onde mais nada cresce.
Tende misericórdia, senhor, das mulheres solitárias
Dos homens maus, dos muros inacabados.
Dos gritos na noite, das mortalhas infantis.
Tende misericórdia, senhor, dos atos falhos,
Das corredeiras secas, dos motores calados.
De tudo que anda, vive, e planeja.
De todas as raças, credos e cores.
De todos os lados, mundos e esferas.
E se por acaso sobrar misericórdia,
Tende misericórdia de mim,
Que vivo triste entre pedras.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Recordações da Casa da Memória

Capítulo 1.

Uma das primeiras imagens de que me lembro é de uma estradinha poeirenta que saía de nossa casa, subia uma pequena encosta e ia em direção à sede da fazenda. Sempre me recordo desta estrada cheia de sol, jamais com chuva, jamais enlameada. Nossa casa era de pau-á-pique, chão de terra e tinha um terreiro imenso na frente. Ali paravam os caminhões cheios de trabalhadores que meu avô contratava para a colheita do algodão. Eram homens sem eira nem beira, alguns encontrados sem rumo nas cidades vizinhas, mas que seduzidos pela oferta de trabalho vinham até a roça do meu avô.

Eles desciam do caminhão meio acabrunhados, e ficavam ali, esperando as ordens, qual a parte da roça seria trabalhada. Me recordo que, saindo de frente a nossa casa havia um algodoal imenso, um mar de brancura que se perdia na distância. Para mim, parecia não ter fim. Para os fundos da casa começava um varjão, palavra que definia a parte mais úmida da terra, em volta do rio, onde os cavalos do meu avô, levados pelos meus tios bebiam e eram lavados. Neste rio, certa vez, meu tio Nivaldo escorregou de uma cerca e prendeu a perna num arame, ficando pendurado por ela. O rasgo foi tamanho que chegava a uns quinze centímetros. E como ele não deixava tratar, com o tempo aquela ferida criou bichos, cheirava mal e se não fosse a insistência de minha avó, talvez ele teria perdido a perna. Acabou sendo tratado quase que à força em Valparaiso.
A sede da fazenda ficava longe, acho que uns cinco quilômetros, e tínhamos que atravessar uma região de terra bem vermelha (me lembro bem), até chegarmos à porteira da sede, que não era nada mais que uma casa grande, avarandada. Certa vez, ao tentarmos atravessar de volta para nossa casa, vindo da sede, minha mãe e eu levamos uma corrida de uma vaca recém parida. Minha mãe me segurava com uma das mãos e na outra levava um caldeirão cheio de laranjas. A vaca investiu e saímos correndo pelo pasto, eu sendo literalmente arrastado e as laranjas caindo atrás de nós. Só deu tempo de passarmos por baixo da cerca e a vaca freou, bufando, a poucos centímetros de nós. Essa imagem tenho até hoje: nós abaixados, próximos a cerca recém atravessada, e a vaca bufando, ciscando, querendo achar um jeito de pular a cerca, o que seria o nosso fim, certamente.

Minha família tinha vindo do estado de Alagoas na década de 50, tangidos pela seca e pelas péssimas condições de vida. Tinham vindo de caminhão por estradas esburacadas, lamacentas, e a viagem durou sete dias. Comeram frutas, rapadura, farinha, carne seca. Banho, nem pensar. Sofreram com o calor, a pouca água, a diarréia que imperava talvez devido a água estragada, mas chegaram em São Paulo. Ficaram na estação da Luz e em seguida foram colocados num trem que seguiu para a região de Andradina. Os fazendeiros contratavam os nordestinos para fazerem o trabalho de bestas, de colheita, limpeza e plantação, pagando salários miseráveis que eles aceitavam, agradecidos por terem um local para dormir e comida farta.
Meu avô, com o tempo, conseguiu ser meeiro, ou seja, um pedaço de terra para trabalhar e dividir meio a meio com o dono, o que conseguisse amealhar ali. O fazendeiro entrava com a terra e meu avô entrava com todo o resto: trabalho, sementes, colheita, venda.
Me lembro que apesar da casa humilde havia fartura de comida. Meus tios, quando queriam carne, pegavam uma espingarda e desciam até o riacho, matavam um pato e traziam para minha avó ou minha mãe preparar. Ovos havia à vontade. Comprava-se na cidade pouquíssimas coisas, como açúcar, roupa, calçado, remédio.

Minha mãe, assim como meus tios José e Antonio, cresceram labutando na roça. Ela não estudou porque meu avô acreditava profundamente que uma moça de família não precisava saber ler e escrever. Se soubesse, podia escrever cartas para machos e certamente daí não sairia coisa boa. Meu tio José cedo descobriu seu pendor para a música e para o namoro, vivia escrevendo cartinhas apaixonadas para a professora e arrumou uma acordeon, de onde tirava algumas notas musicais. Logo que percebeu que a professorinha não se interessava por ele, largou a escola e concentrou-se na acordeon. Começou a participar de bailes na região, e descobriu que ser músico era altamente compensador na questão de namoro. Começou também a beber. Chegava em casa de madrugada, alegre, mas cheirando a cachaça, o que fazia meu avô dar-lhe boas surras. Não adiantou muito. Tornou-se rapidamente a ovelha negra da família.

Meu tio Antonio sempre foi um rapaz tranqüilo, calmo, metódico, um pouco ingênuo. Era um dos mais claros da família, tinha os olhos verdes e cabelos claros, como a minha mãe. Cuidava muito bem do estômago, era um pouco gordinho. Quando queria almoçar e não tinha carne, matava um pato, vigiava as galinhas para ver se botariam (enfiando um dedo no fiofó da coitada) e fugia de brigas. Quando completou quatorze anos exigiu e conseguiu que meu avô o mandasse para a cidade estudar. Mas meu avô deixou bem claro que não tinha como mantê-lo lá, pagando pensão ou hotel, então negociou com um conhecido que meu tio ficaria na cidade, hospedado na casa deste amigo e trabalharia por pão e moradia. Tinha que levantar às 4 da manhã, selar o cavalo, o carrinho e sair com o homem para entregar leite em casas da cidade. Voltava, almoçava e ia para a escola. Depois, à tardinha, tinha que trabalhar no sitio, cuidando de vacas, cavalos e na roça. Era uma vida dura. Assim mesmo, conseguiu ler e escrever razoavelmente bem.

Minha tia Cicera, a mais bela e protegida da família, foi enviada para Mirandópolis para aprender a ler e estudar corte e costura. Desde muito jovem, era faceira, namoradeira, passava horas penteando-se. Só não usava maquiagem porque naquela época, inicio da década de 60, numa fazenda do interior do estado de São Paulo, essa palavra sequer existia. Essa minha tia desde muito cedo mostrou-se muito sensual e meu avô, homem tremendamente rígido nos seus conceitos, deu-lhe inúmeras surras. Mas não adiantou muito, porque ela não mudou, obviamente, e com o passar do tempo acabou fazendo algumas coisas que o pobre do meu avô nem desconfiava.

Tenho algumas imagens meio nebulosas desta época. Eu devia ter uns 3 ou 4 anos. As coisas não andavam bem e aproximadamente em 1964, meu avô jogou a toalha e decidiu ir para a cidade. Escolheu Andradina, que das cidades mais próximas, era a mais promissora.
Nesta época, morávamos próximo às Três Alianças (Primeira, Segunda e Terceira Aliança), entre Valparaíso e Pereira Barreto. Há alguns anos atrás fui conhecer estas Alianças: povoados minúsculos, mas me ficou na cabeça uma igrejinha branca em Primeira Aliança, muito fotogênica, talvez um pouquinho melancólica.

Em uma das vezes que meu avô foi à cidade, creio que em Valparaiso, comprar alguns medicamentos e utensílios, conheceu um rapaz que procurava emprego. Ele estranhou a principio porque o rapaz era de boa aparência, não tinha a aparência maltratada dos trabalhadores braçais, sabia ler e escrever e estranhamente não tinha calos nas mãos. Decididamente era um tipo estranho...E tinha mania de leitura. Quando fecharam a contratação, meu avô pediu para que ele subisse no carrinho puxado a cavalo e o rapaz assim o fez, puxando para cima apenas uma malinha com poucas roupas e.... muitos livros. Isso deixou meu avô muito surpreso. Simpatizou com ele, falava bem, tinha um jeito tranqüilo e parecia faminto. Mal sabia meu avô que estava contratando o homem que lhe roubaria a filha e a abandonaria depois, grávida. Minha mãe Maria, a mais velha das filhas.
Aquele rapaz era o meu pai.

Chegamos em Andradina mais ou menos em 1966. Digo mais ou menos porque não me recordo da data correta. Meu avô, não sei como, acabou comprando um terreno na Rua Acre. Naquela época, a prefeitura facilitava a compra em dezenas de mensalidades e ele aproveitou a ocasião comprando um belo terreno de 20x25 metros, o que chamavam de “meia-data”. Como não tínhamos dinheiro e precisávamos ter um teto, ele acabou fazendo uma casinha de pau-a-pique, como tínhamos na fazenda e lá colocamos os poucos e velhos móveis.
O bairro tinha pouquíssimas casas, bem diferente de hoje. A maioria dos terrenos estavam desocupados, as ruas eram de terra, poucos vizinhos. Ficamos por ali. Meu avô conseguiu um emprego na Usina de Ilha Solteira que estava iniciando. Virou “barrageiro”. Levantava às 5 da manhã e esperava o caminhão da Camargo Correia. Não precisava levar marmita pois existia, na obra, o tal “bandeijão”. Meu avô era um homem duro, mas várias vezes me lembro dele olhando as mãos calejadas, maltratadas, apesar do uso de luvas na obra. Dá para imaginar como o trabalho era pesado.

Apareceu a oportunidade de se fazer uma casa de madeira. As madeiras que eram usadas na obra da Usina de Ilha Solteira eram depois jogadas em um local e as pessoas podiam pegar o que pudessem. Meu avô alugou um caminhãozinho e lá foram todos da família, minha mãe, tios e tias buscar a tal madeira. Até minha avó foi. Trouxeram o caminhão lotado de tábuas e assim, ele, junto com uns amigos e meus tios, construíram uma nova casa na parte da frente do terreno. Finalmente, teríamos uma casa bem construída, bem pintada, espaçosa. E com um jardim na frente, jardim onde cacei muitas borboletas. Malvadamente, eu as capturava e amarrava uma linha na bundinha das pobrezinhas e as fazia voar. Por quê as crianças são tão maldosas?

Caricia última

Foto de Mauro Pereira da Silva

A paisagem do que sou
é uma contradição.
Para falar, escrevo e escrevo,
crio frases
Para mim perfeitas e condescendentes.

Para viver busco
corações que não choram
Castelos escondidos
entre a mata escura.

Palco sou, somos todos,
onde os atores
São reflexos de outros, mais antigos.
Paradoxos afortunadamente descritos
Do modo mais terno
e descomplicado.

Brindemos todos à morte,
esta única culpa.
Desconcertante como um carinho distraído.

Aveludados

Foto de Mauro Pereira da Silva
Perguntou-me se a porta aparece ou desaparece.
Respondi, já não sei o que me comove.
Insistiu diante de mim, passados minutos
Como se a fúria estivesse em pessoa
Fazendo o jogo na mansarda e nas constelações
De pessegueiros, aveludados e francos.
Respondi, já não sei o que me comove.

Compreendo como homem que nada,
É o centro das coisas contraditórias.
Compreendo como homem que nada
É notável ou maravilhoso, apenas são
Súbitos, qual mármore preto em fachada.

Perguntou-me se o mais infeliz dos seres
Reprovam a vida, escalam montes de pó
E nada perguntam que seja de véspera.
E respondi finalmente, que nada mais
Me comove, mas como homem
Ás vezes choro.

domingo, setembro 13, 2009

Pequena oração de domingo

(Foto de Mauro Pereira da Silva - Guarapari, Espirito Santo)

Parte 1.

Senhor,
Sei que alegres são as cabeças
Os meio-dias de quem não contorna
A maravilhosa costa da fé que não é cega.

Mas Senhor eu não nasci para a cegueira.
Não compreendo e o que não compreendo,
Me enerva, me tira do sério, não avisto
A alvorada que tanto busco.

Sei de brisas mais amenas, ancestrais,
Perto de mares e paises coloridos.
Mas Senhor, morro em vida, morro
Sem dormir se não conheço outras cores.

Por mais perigosa seja a travessia, quero
O perigo do contorno, o campo de batalha
E dos desafios, corpos de heróis caindo
Na confusa batalha que é a vida.

Parte 2.

Senhor,
Estou presente no espirito, estou
Avivando a voz que vos chama,
Estou pronunciando a oração e o meu
Silencio, extremas dores amarradas.

Mesmo de vime, meu mundo é este.
Trago na boca o ardil da presa que se
Revolve, o modo do filho que pergunta
Os hábitos dos dias, o correr do tempo,
As possíveis esferas e os gritos vespertinos.

Não por minha culpa, mas apenas por ser
Como trigo no campo, esperando ser ceifado.
A culpa é vossa e também vosso o triunfo.
Ordem tua, sonho teu de criação e perfeição.

Se peco, peco no teu sonho.
Se erro, erro no teu regaço, antigo de Dias.
Se me lanço no espaço, afugentas de ti mesmo
A imagem espectral do primeiro homem,
Que apenas pisou em terra firme.

Se bato as asas ou se busco tua imagem
Fora de templos, em estações antigas
De sabedoria,
Na verdade honro tua forma.
Fui feito à vossa imagem.

Geração

(Foto de Mauro Pereira da Silva - Vitoria, Espirito Santo - Terceira Ponte)

Concedi-lhe a graça da resposta:
Nada sei, certeza não tenho, nego
A mim mesmo mas não confesso.
Ferimentos tenho, que não sou.
Repartido ainda me conservo.
Mas afeto é coisa cara e escassa,
Por isso luto e me lanço no mar.
Dei ouvidos ao coração, só eu sei.
Ingrata é a palavra, mesmo a poesia
Tenho como armas apenas a mim
Mesmo, nem grande nem forte.
Mas aceito o combate, aceito.
Mesmo pequeno, temo apenas
As tardes diluídas em angustia.

Algumas Dicas do Bill

11 coisas que estudantes não aprenderiam na escola


Dizem que o texto abaixo foi dito por Bill Gates em uma conferência numa escola secundária sobre 11 coisas que estudantes não aprenderiam na escola. Fala sobre como a política do “sentir-se bem” tem criado uma geração de crianças sem noção da realidade e como esta política tem levado as pessoas a falharem em suas vidas posteriores à escola.

A vida pode ser cruel, e a crueldade pode atingir qualquer um, principalmente aqueles que não tem os pés firmes no chão

....................................................

Regra 1: A vida não é fácil - acostume-se com isso.

Regra 2: O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo.

Regra 3: Você não ganhará US$ 40,000 por ano assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone.

Regra 4: Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.

Regra 5: Fritar hambúrgueres não está abaixo da sua posição social. Seus avós tinham uma palavra diferente para isso - eles chamavam de oportunidade.

Regra 6: Se você fracassar, não é culpa de seus pais, então não lamente seus erros, aprenda com eles.

Regra 7: Antes de você nascer seus pais não eram tão chatos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você falar o quanto você mesmo era legal. Então antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto.

Regra 8: Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você repete mais de um ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real.

Regra 9: A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudarão a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

Regra 10: Televisão NÃO É vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a cafeteria e ir trabalhar.

Regra 11: Seja legal com os "Nerds". Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar para um deles.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Guardado

(Foto de Mauro Pereira da Silva - Mosteiro da Penha, fundado em 1558 - Vitoria do EspiritoSanto)
Já não era mais uma tocha incandescente.
Sobre as costas nuas a marca do dia quente.
Um sonho é o corpo reclinado na areia.
Suave é o ponto de equilibrio entre o céu e o mar.
Ponderei que sou vários, melhor ou pior.
(Sem sobressaltos, o areal compõe a trilha).
Penumbra é o teu nome, assim desnuda.
Eu sonho. E na caida da lua me expresso.
Comungo contigo, alcance de mares e sóis
Derramei sangue, tornei-me frágil e penitente
Mas permaneci em mim mesmo, coeso.
Ferro, ouro de mina, cobre, sei lá.
Pesa-me o dia, limpo apenas na brisa.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Fora de moda


E assim,
tudo se transforma em pó
A vida, escorrendo pelos dedos,
Os anos passando e passamos a olhar
As coisas com um certo ar blasé.
(A estante guarda velhas fotos,
roupas fora de moda,
poemas antigos e ingênuos).

Viagem curta,
A vida se lacera e se rompe
Se despedaça e se interrompe.
Não há mais tempo nem espaço,
O ônibus chegou ao seu destino,
A velha estação
Já meio abandonada.

DIVERSAS

(Foto de Mauro Pereira da Silva - Praia da Joaquina, Florianópolis)

A tua ausência irrestrita
é como uma escalada por montes inatingíveis.
Nada mais que o medo e os cânticos
apaixonados de terra.
Sou o laço curto de tua inocência.
E enquanto o velho relógio
traz a noite,
rios dissolutos me invadem.
A tua ausência é mais
que manhã cinzenta de chuva.
Exilio, caos.
Fundas marcas de cortes
de uma alegria que não mais celebro.
Eternidade às avessas,
amor que deixa um odor
acre de amargo.

domingo, agosto 30, 2009

Fragmentos

(Foto de Mauro Pereira da Silva)

Vivo só.
A força do que digo, está relegado ao poder
Dos homens solitários.
Ninguém me ouve? Clamo sozinho
No deserto habitado por tentações?
Por mais exíguo seja meu canto,
Vivo nele, caminho entre pedras
E limos.

terça-feira, agosto 25, 2009

Brasil Profundo 3











Brasil Profundo 2
















Brasil Profundo 1











Rocamboles

(Foto de Mauro Pereira da Silva)
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Agora mesmo ficou aqui
Um cheiro
Comprometido
De conspiração.
Depois de um tempo
Sua presença encerrou
Tanta graça que eu
Até ri, suspeitando.

Cheiro de rocamboles
Saindo do forno
(daqueles com marmelada
Escorrendo pelas bordas)
Mas digo a verdade, sempre.

Estou apenas olhando
O céu, ali em frente
E não há nada doce
Nem cheiro algum
Agradável.
Só o frio de agosto.

Cristaleira 1

(Foto de Mauro Pereira da Silva - Guarujá, SP)

Me salvo de pessoas.
Sozinho sempre,
Na solidão de mim
Mesmo.
Inabalável, violetas
Buscam o ar
Rarefeito da noite.
Desenho, me recuso
A sucumbir diante
Do jamais.

sábado, agosto 22, 2009

Cruzando a ponte

(Foto de Mauro Pereira da Silva - Exposição de Orquideas, São Roque, Sp, julho/2009)

Não olho para trás.
Eu disse: este mar já conheço.
Audácia, te conheço e cavalgo.
Viver? Só viver, se puder.
Mar, aberto mar de verdes, ventos,
Barragens, companheiros.
Não olho. Para trás.
Por longo tempo olhei e vi
O que depois o próprio tempo
Me ensinou.
A plena ordem.

Depois da cerveja

(Foto de Mauro Pereira da Silva - Bateias, PR)

Não seja infeliz.
Imagens comprovam a vida:
O carro passando na noite profunda.
A moça andando pela calçada.
Os velhos conversando.
Uma lua imensa invadindo os telhados das casas.
Um sentimento qualquer de alegria, uma cerveja
Que desenha um azul sentido na tarde que cai.
A vida vale a pena e nós a fazemos maior
Nós, os protagonistas que se servem de seu andado.
Nós, que vamos morrer e a saudamos.

quarta-feira, agosto 05, 2009

A palavra liberdade

(Foto de Mauro Pereira da Silva)

Creio em selos reais, tardias moças morenas.
Sentimentos vindos de dentro, cheiro de pão assado,
Entidades misteriosas ao cair da noite.
Creio em Deus Pai, novos tempos, o finito som
Do beijo, o entendimento dos homens e das rochas.
Creio em ensaios, roxas flâmulas ao vento,
Duas ou mais lágrimas vertidas por um filme.
Quero viver, só, viver e reviver com os sentidos
Em mutação, por isso, creio na cor e no papel.
Creio na realidade tocante dos sinos, seis da tarde,
Pessoas caminhando sob a garoa fina de São Paulo.
Creio na imagem hegeliana clássica, no status
Da moça pálida que desenha seu nome na água.
Creio na razão, mas antes de qualquer coisa,
Creio na rosa e no espinho, na força da vida
Que despedaça e constrói, simultaneamente.
Creio como qualquer homem inseguro que só vê
Sombras e mais sombras, simulacros de pó
E nada mais. O fim desponta ao longe.
Não haverá flores nem limos, nada.
Creio agora, porque agora existo
E além de mim só o vago desenho da vida
Se desenha.

terça-feira, agosto 04, 2009

As torres e as maçãs

(Foto de Mauro Pereira da Silva - Joquei Clube de São Paulo

É surpreendente a variedade de sombras
Passando pelo céu de agosto entre os prédios
E o mundo.
Crescem pontos para os lados da Paulista
Entre a torre da Globo, espécie de igreja
Onde as ondas convertem os fiéis em
Horário nobre.
Violentas ondas erguem-se, sobre os carros
Pratas, crônicas maçãs deslizando entre as ruas.

NESTA TERÇA ENSOLARADA

(Foto de Mauro Pereira da Silva - Parati, RJ)


Sou um tolo que acredita
Na palavra e nas pessoas,
Em quartos e andares
De velhas casas ancestrais.

Sou um tolo que acredita
Na atenção dos velhos
Na virtude dos jovens
paixão e chamas ardentes.

Em casas brancas, em sois
Sussurros e sonhos belos
Cavalos castanhos no campo
Transes de amor e redenção.

Sou um tolo que acredita
Em vulcões movendo gente
Perspectivas aladas e quadros
Figuras pacientes e eternas.

sexta-feira, junho 19, 2009

Andaluz

(Foto de Mauro Pereira da Silva)
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Movimento 1.
(O campo como forma de liberdade)
Pôr em harmonia, a conta justa
De múltiplas formas
Sopro e percussão, música
De flores.

O acordo entre o corpo
É de povos e cidades
Absoluta fome,
Por estreitas salas.

Em algumas partes,
Coleções de corpos
Processam tempos
Harpejar de mãos.

Cordas desiguais
Onde somos notas
Que o som de tudo
Contradiz bem cedo.

Diversas pontes
Nos ligam, palhetas
Recíprocas telhas
De vidros abissais.

Diversos cortes
Mostram a pálpebra
Alquebrada
Listrada de vermelho.

Cerrados, campos gerais
Onde os sinais de pedras
Indicam nossas dores:
Nada mais.

Somos extremidade.

Movimento 2.
(O cavalgar relativo mas coeso)
Dar forma ao campo,
Assumir seus esteios
Curvas, traços de terra
Em caráter de úmido.

Dar forma ao cervo
Ferido por corisco,
Corintias colunas
Veias escritas em verde.

Pertencer ao rubro
Da tarde, aos rios
Divididos como a vida
Nos divide, em partes.

Qualquer ponto se aplaca
Fluxo luminoso na serra
Corpos decorrentes
Na luz espectral.

Coro de vozes juntam-se
Na realidade cinza-escuro
Ornado por ensaios
Danças e tons de rosa.

Nuvens desenham meninos
Bois, grandes cabeças
Que só os iniciados
Sutilmente percebem.

No hemisfério norte
E pras bandas do sul
Maciças fendas e tubos
Desenham meu país.

Cromos fazem a festa
Coruscantes veias,
No pescoço do baio
Em seu longo cavalgar.

Volume temos no longo trote.

terça-feira, junho 16, 2009

A cidade modelo

(Foto de Mauro Pereira da Silva)

Uma fita verde colore a cerquinha de balaústre
Em Sitio Cercado, Capão Raso, Juvevê.
Retratos de antigamente ampliam quintais
Já revestidos de cores e roupas lavadas.
Uma tal intensidade ganha forma, as ruas
São compostas por muros e pessoas.
Uma pintura moderna. Rostos literais,
Sem nada de ficção, mas contas a pagar,
Prestações, carnês mensais em juros fáceis.
Estamos no novo mundo, sim estamos,
Libertos de nós mesmos, soltos pelo espaço
Da cidade modelo. Temporais formam-se
Pras bandas da Água Verde, Batel, Centro Velho.
Um tom diferente de céu habita o sul.
Reflexos generosos compõem o bairro,
Silencioso como uma velha igreja ancestral.