quinta-feira, agosto 18, 2011

Dissertação sobre o poema II

Não olho o poema como uma mulher grávida. Antes, como um rastro de água (mineral). Antes, como um longo encismado de pedras, entulhos, águas-vivas. Antes, como uma serpente pintada de sol e fogo. Como um grito redondo ou um fixo olhar de logro. Não vejo o poema como germinado sob a água do rio, da ilha além do rio, da escultura. Construção de forma só exegese e gênese total, que se serve de olhos e bocas para vencer o mal. Vida e sopro, brisa e pús de vida, chaga de vida, vida dimensão e luz cruel de vida pasto, vida, força, vida. Não olho o poema. Antes, como o poema, depuro o poema, agrido o poema.

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