sábado, dezembro 13, 2008

Oração de um refugiado

(Foto de Mauro Pereira da Silva). para aumentar clique 2x na foto


Não acredito em pedras.
Só meu nome não basta
Para rugir trovões.
Declaro morta a palavra.
Diante do tempo nada resta:
Só os justos não movem moinho.
De relance me atrevo.
Não espero compaixão
Já que a vida me basta.
Não acredito em pedras
Nem em mais espinhos
Ou orações dos santos.

Um comentário:

Marta Vasil disse...

"Declaro morta a palavra."

Engano seu. (perdoe-me o atrevimento A palavra não ficou morta! Neste poema intensíssimo e algo amargo onde o acreditar se esfumou, acrescentou à palavra, VIDA.

Que esta oração traga ao refugiado a força do ACREDITAR.

Bom fim de semana com a força de palavras vivas.

MV