sábado, janeiro 01, 2011

Feliz 2011 a todos os amigos e visitantes

2010 foi um ano terrivel para mim. Adoeci gravemente, perdi minha mãe em 20/08. Passei por situações que nunca passei antes na vida. Mas tudo me serviu de lição. Estou saindo de 2010 mais forte, mais experiente, mais sagaz. Tocando em frente.

Agradeço aos amigos todo o apoio. E a Deus, pela vida.

terça-feira, novembro 30, 2010

Á primeira vista


Enquanto recebo a luz e os ponteiros
parece improvável que pessoas de vidro
Passem horas em finos postes.

O teto é um lado do inferno
O curto estar, produto de minha mente
A frente de um quadro retocado.

Há um relógio, desolado espaço.
Há um sentir de ventos, meios.
Provas, de que estou aqui, só.

domingo, junho 27, 2010

O país da morte

Nada restou, a não ser a noite e as sementes
A casa negra e o alvorecer,
As palavras e as flores tristes.
Eu desconhecia ecos
Cujo som me envolvia na tarde
Ouvindo o radio, olhando o portão
As madressilvas no pequeno jardim
De minha casa.
Nada restou, nada.
O país da morte ainda se desenha
Num crepúsculo arroxeado e vestido
De luto, nas plumas apressadas em
Um gesto, um tchau distraído
Um caminhar respirando na luz
Quase linear
Do fim de dia.

Construção

Foto by Mauro P. da Silva - Paranapiacaba, São Paulo

Pertenço à minha infância e aos telhados,
aos livros e às figuras,
Motivos de morte, desafios
sob a luz da lua, um lugar de ouvir vozes,
a casa aberta e cheia da noite.
Pertenço aos livros,
manuscritos e neves brancas, às pausas,
Às vozes perdidas e modos tristes,
aos gritos e brinquedos,
Pertenço à vida em fiapos, aos grãos
lançados ao ar.
Pertenço aos pães,
dia após dia, ao levedo branco
- janelas desenhando
as cercas de lá de fora,
Pequenas aldeias dormindo
aos pés das serras o sono tranqüilo
da vida mesclada à morte.
Ainda não estou terminado:
Deus ainda me constrói,
Diariamente.

sábado, maio 29, 2010

Quadro

Entre portas, as luzes fluem
 como libélulas enlouquecidas.
A mulher esquecida sobre
o velho sofá avermelhado.

A janela desenhando o mundo,
que parece estranhamente real.
O homem dividido tentando juntar
suas partes estremecidas.

O inferno queimando
seus últimos
 recursos.

terça-feira, maio 18, 2010

terça-feira, maio 11, 2010

A limpeza e as cores





    Fotos de Antonio Manuel (Paços de Ferreira - Portugal) antoniomanuel26@hotmail.com

Lavai minha alma, meus pés,minhas mãos erguidas,
a chuva caindo em tarde de pedra.
Lavai meus cilios, pesados cilios,
um circo se desenhando além de mim,
num mundo que não compreendo.
Lavai meu peito.Lavai meu tempo.

Lavai toda a ensanguentada roda
da vida e dos homens que nela urgem.
Lavai o dia, os carros na avenida
pintada de cores hibridas.
Lavai o meu pequeno espaço,
este onde dedilho cordas que às vezes
só eu mesmo entendo.

domingo, abril 25, 2010

Nevoeiro

Foto by João Chaves - Portugal - www.restaurantesaopedro.com

Alguém me dizia sobre a escuridão.
Poltronas velhas, alvoreceres.
Exércitos e um corredor bastante largo.
Seda branca, equilibristas e malabares.
Sapatos pesados de lama.
Um juiz e sua sentença.
A lareira e seu fogo.
Mas nada é claro.

Pequena lima

Foto by João Chaves - Portugal - www.restaurantesaopedro.com

Sempre que se ergue, a quietude das árvores trabalha em mim.
Nada desenhada ou divertida.
Mas um leve chiar de vento.
Pés que correm, desenhando na grama o desenho das mamonas.

A lassidão da curva entorpece e nada mais.
Há um choro, apenas. E um terno e atencioso olhar do lago.
Para o cassino das plantas, mais nada no mundo incomoda,
É o exemplo de tudo: o pálido céu encandescido de mariposas.
As coisas esquecidas no navio do tempo.

As tiras de luz e o espanto brigando por um espaço de asas.
Meio ocultas as margaridas reclamam: ainda não é noite.
O emaranhado da vida senta-se á beira do filme que se faz.
O desenho do momento é uma pequena lima.

Mas vê-se, de repente, livre e pequenino.

O leiteiro, o almoço e a amarelinha

Foto by J. Pedro Martins - Portugal - http://estoriasaometro.blogspot.com


Saiba que ainda vejo luzes,
Porteiras abertas,
Cavalos pastando além da linha
Onde eu aguardava o trem do meio-dia.
Ainda vejo ruas, vermelhas ruas, de lama e sol
As mães levando os filhos pela mão,
A escolinha de madeira além do bosque,
Onde eu buscava ninhos de passarinhos.
Saiba que ainda ouço trovões, vejo raios,
Sinto o cheiro do dia amanhecendo,
O leiteiro e seu cavalo com sininhos,
O homem passando de bicicleta apregoando
Conserto de panelas e de guarda-chuvas.
Ainda ouço, incrivelmente, as cantigas noturnas,
De namoro no escuro, os jogos de amarelinha,
De bolinha de gude, peão, a estrada trêmula de calor
Se perdendo pros lados do Frigorífico Mouran.
Saiba que ainda sinto o cheiro da grama cortada.
Do café sendo feito.
Ainda ouço os gritos de minha mãe me chamando para o almoço.
E estes ruídos, sons e cores, compõem o que ainda sou,
Mesmo distante e envernizado pelo asfalto urbano
De outra cidade e de outro tempo,
de outras pessoas.